O dedo de Milão - e o que tem a ver com o mercado de acções

Mostra o dedo médio em frente à Bolsa de Valores de Milão

Da nossa equipa editorial

Milão é moda, Milão é dinheiro - mas aqui mesmo, na Piazza degli Affari, em frente à Bolsa de Milão, a cidade mostra o seu coração anárquico.

Parece um corpo estranho monumental no austero mundo das finanças: onze metros de mármore branco de Carrara como uma mão, incluindo um plinto, alinhado frontalmente e maciço como uma relíquia da antiguidade. Mas o gesto é tudo menos clássico. Um dedo médio estendido que se ergue diretamente em frente ao Palazzo Mezzanotte.

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Oficialmente, trata-se de L.O.V.E.

O dedo médio de Milão: quase impossível de não ver à distância
O dedo médio de Milão: quase impossível de não ver à distância

Oficialmente, a escultura chama-se L.O.V.E. - Libertà, Odio, Vendetta, Eternità - liberdade, ódio, vingança, eternidade. Mas em Milão costuma dizer-se secamente: „Il Dito“. A obra foi criada por Maurizio Cattelan, um artista famoso pela sua arte mordaz. A escultura foi em 2010 para uma retrospetiva da obra do artista, que teve lugar a poucas centenas de metros de distância, no Palazzo Reale. Planeada para um mês.

O timing foi cirurgicamente preciso: a instalação teve lugar numa altura em que as consequências da crise financeira global ainda se faziam sentir por todo o lado. E foi precisamente ali, em frente à sede da bolsa de valores - o templo do capital - que Cattelan colocou a sua bofetada de mármore na cara.

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Uma bofetada de mármore na cara do mundo financeiro

As reacções não se fizeram esperar. Os representantes dos meios financeiros ficaram indignados e falaram de um desrespeito imperdoável por uma instituição que representa a economia italiana. A exigência é grande: A escultura tem de ser retirada. Começou um braço de ferro entre representantes do mundo dos negócios, financeiramente fortes, e figuras influentes da cultura. No meio da discussão acesa, o artista ofereceu a obra à cidade a título de empréstimo permanente - o que veio aumentar o fogo. E, entretanto, as pessoas comuns descobriram o seu amor pela arte atrevida.

Mântua: a estrela discreta das cidades italianas

O memorial em frente à Bolsa de Milão - todos os dedos cortados, exceto um.
O memorial em frente à bolsa de valores - todos os dedos cortados, exceto um.

Provocação silenciosa em vez de protesto ruidoso

No final, a cidade de Milão decidiu: „Il Dito“ ficou. E passou a fazer parte da paisagem urbana - fotografado por turistas, encenado no Instagram, discutido nas páginas dos jornais. Entre fatos apressados com café para levar e grupos de turistas maravilhados, este dedo é como um comentário que não se detém. Formalmente, a mão é de um estilo clássico, quase heroico. Os quatro dedos estão bem separados, resta apenas o dedo médio. É precisamente esta mistura de aparência antiga e gesto moderno que torna a obra tão eficaz. Não é uma escultura ruidosa. Não grita. Simplesmente mostra.

Um gesto que permanece permanente - feito de mármore: pesado, imóvel, público.

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