Grappa, limoncello, amaro: como funciona o digestivo em Itália

Foto de Mihaela Claudia Puscas em Pexels.com

De da nossa equipa editorial

Um digestivo não é apenas uma aguardente - é um ritual. Em Itália, o pequeno copo depois de uma refeição faz parte do final culinário.

Quer seja claro, amargo, doce ou à base de ervas: o digestivo deve não só saber bem, mas também estimular a digestão - e, igualmente importante, terminar a reunião em grande estilo.

Até os antigos se entregavam às ervas

As origens do digestivo remontam a um passado longínquo: já na Antiguidade, os gregos, romanos e egípcios misturavam álcool ou água com ervas para acalmar o estômago. Na Idade Média, os mosteiros italianos adoptaram a ideia - muitos digestivos foram originalmente desenvolvidos como elixires curativos. Um dos registos mais antigos provém dos arquivos dos mosteiros, nos quais o nocino é mencionado já na Idade Média. O digestivo tornou-se um costume da vida quotidiana em Itália, o mais tardar a partir do Renascimento.

Robusto no norte, doce no sul

O que outrora era considerado um medicamento contra o inchaço e a cólera é agora um símbolo do convívio italiano - com fortes caraterísticas regionais. No norte de Itália, predominam os licores de ervas robustos, como a Fernet-Branca, a Grappa ou o Nocino. No sul, por outro lado, a tónica é colocada no limão, no anis e na doçura suave: o limoncello da Campânia, a sambuca com grãos de café em Roma ou os licores amargos com bergamota da Calábria são comuns aqui. Os representantes típicos desta tradição são o amaro, a grappa, o limoncello, a sambuca ou o nocino, um licor de noz do Norte de Itália.

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O "assassino do café"

Quase todos os amares se baseiam numa receita secreta, muitas vezes nas mãos da mesma família durante gerações. As misturas de ervas e especiarias diferem por vezes significativamente - de amadeiradas a medicinais, a doces e picantes. E depois há o termo "Ammazzacaffè" - o "assassino do café". Em muitas regiões, este é o nome dado ao digestivo que termina o expresso. Ou talvez o contrário. Porque quem janta em Itália sabe que aqui a refeição não acaba com a sobremesa, mas com um copo. Mesmo que seja apenas um brinde à vida.

Os digestivos mais famosos de Itália

  • Amaro Averna: um licor de ervas da Sicília
  • Fernet-Branca: um bitter de ervas de Milão
  • LimoncelloLicor de limão da Campânia
  • GrappaUma aguardente de bagaço do Norte de Itália, especialmente do Veneto e do Piemonte
  • Sambuca: licor de anis do Lácio
  • Amaro Montenegro: um licor de ervas de Bolonha
  • Nocinoum licor de noz da Emília-Romanha
  • Amaretto: um licor de amêndoa da Lombardia
  • Mirto: um licor de murta da Sardenha
  • Strega: um licor de ervas da Campânia

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